Embora muitos países tenham começado a utilizar energia de fontes renováveis, ainda existem 437 reatores nucleares de uso não militar em operação ao redor do mundo. Resíduos radioativos são uma parte significativa do cenário nuclear e demandam gerenciamento e descarte apropriados.

 

Ainda precisamos de energia nuclear?

Após mais de 50 anos de uso civil da energia nuclear, resíduos radioativos corretamente manuseados ainda não trouxeram problemas sérios de saúde ou ameaça real às pessoas. Todavia, é preciso considerar com muita seriedade o medo que esses materiais despertam na população. Todos os países planejam com extrema precisão os locais de descarte de seu lixo nuclear. Afinal, ninguém se esquece de acidentes como os de Fukushima ou Chernobyl. O descarte final do combustível irradiado é um assunto polêmico, geralmente usado como argumento contra o uso de reatores nucleares.

 

Proteger as pessoas e o meio ambiente

O gerenciamento e o descarte de lixo nuclear têm como meta principal proteger as pessoas e o meio ambiente. Isso significa isolar ou diluir os resíduos de forma que a taxa de concentração dos radionuclídeos devolvidos à biosfera seja inofensiva. Para isso, praticamente todos os resíduos são contidos e direcionados – em alguns casos, enterrados permanentemente a grandes profundidades.

 

Um dos primeiros depósitos de resíduos radioactivos do mundo

A instalação de Bátaapáti, no sul da Hungria, é um dos primeiros repositórios de lixo nuclear do mundo. Depois de 15 anos de trabalho e um investimento de US$ 310 milhões (ou HUF 68 bilhões, na moeda local), a primeira câmara de descarte de Bátaapáti foi concluída pela Companhia Pública Limitada para Gerenciamento de Resíduos Radioativos (Puram, na sigla em húngaro).

 

Concreto projetado, suporte completo em campo e treinamento

Por sua experiência prévia nesse campo de alta dificuldade, a Sika foi escolhida para
fornecer amplo suporte e soluções de concreto projetado à obra, em total conformidade com as normas e regulamentações da organização europeia EFNARC. Isso incluiu uma inspeção detalhada do local, a checagem e o monitoramento do concreto, o suporte integral ao maquinário de concreto projetado e também todo o treinamento necessário aos pulverizadores e outros elementos-chave ao longo do processo.

 

Câmaras seladas com uma mistura de barro e concreto e granito moído

Estima-se que as galerias subterrâneas de descarte em Bátaapáti venham a abrigar todo o rejeito radioativo de baixa e média atividade (LILW, na sigla em inglês) resultante da operação e desativação da usina nuclear de Paks. Os resíduos de alta atividade, em pequeno volume, serão tratados separadamente. As câmaras de descarte definitivo de Bátaapáti estão localizadas, aos pares, em três cavernas subterrâneas escavadas no granito, entre 200 m e 250 m abaixo da superfície. Cada caverna tem entre 90 m e 110 m de diâmetro. A primeira dessas câmaras foi projetada para conter cerca de 40.000 m3 de lixo atômico, previamente compactado em 4.600 tambores de aço, a serem armazenados, por sua vez, em 510 contêineres de concreto reforçado. Depois, as câmaras são seladas e preenchidas com uma mistura de barro e concreto com cerca de 60% de granito moído.

 

O apoio de construção

Como ocorre na construção de túneis eminas, o concreto projetado foi utilizadopara estabilizar a escavação. A Sikaforneceu à obra um poderoso pacote deprodutos, contendo, entre outros, osuperplastificante para concreto projetadoSika ViscoCrete® SC-305 e o aditivo à basede sílica ativa SikaFume®.

 

A água é o escudo confiável

Na prática, o combustível irradiado sempre requer blindagem. Ele é mantido submerso porque a água é um excelente sistema de proteção, blindando-o por alguns anos até que seus níveis de radiação decaiam e seu armazenamento em contêineres de concreto se torne seguro. As opções de destinação dos resíduos nucleares incluem reciclagem e armazenamento geológico profundo. Lançá-los ao espaço, rumo ao Sol, seria uma forma perfeita de eliminá-los. Porém, como foguetes ainda são uma tecnologia instável, correríamos o risco de que resíduos nucleares se espalhassem acidentalmente pela atmosfera em uma decolagem malsucedida. Especialistas alertam que novos locais de descarte permanentes precisam ser criados o quanto antes, ou o mundo poderá ver-se em breve sobrecarregado com resíduos radioativos que ninguém quer.