O Irã, que já foi um dia a Pérsia, é o 18º maior país do mundo em extensão e tem mais de 80 milhões de habitantes. Com uma grande reserva natural de petróleo, o país é membro da OPEP e é também o maior exportador mundial de caviar e açafrão. Você pode ficar surpreso, mas saiba que o Irã está entre os países com maior proporção de mulheres universitárias, além de possuir o maior índice de alfabetização da região. Sua população, da qual 50% têm menos de 30 anos, inclui a maior comunidade judaica da região – fora de Israel. No Irã, fala-se o persa, um idioma indo-europeu.

 

O que lhe vem primeiro à mente quando o sr. pensa sobre sua experiência profissional no Irã? O que torna Teerã especial?

> Na verdade, o Irã não foi um destino estranho para mim. Eu vivi no país por cerca de nove anos, até 2007. A primeira coisa em que penso é em conhecer a fundo esse campo de trabalho desafiador e diversificado. O comportamento empresarial no Oriente Médio, e especialmente no Irã, é bem diferente do resto do mundo. Você precisa entender tanto a história do país quanto o funcionamento de seus sistemas teóricos. Quanto a Teerã, uma metrópole com mais de 14 milhões de habitantes, ela está próxima das montanhas Alborz e seus subúrbios estão 1.800 metros acima do nível do mar.

 

Quais são seus segredos para liderar equipes?

Confiança e responsabilidade pessoal são essenciais para o sucesso de um trabalho em equipe. Adaptar-se ao mundo empresarial local e entender os usos e costumes do povo são também elementos-chave. As Nações Unidas ainda mantêm sanções contra o Irã. Se elas fossem suspensas, haveria investidores internacionais prontos para fazer negócios no país? [Nota: esta entrevista foi realizada antes da formalização do mais recente acordo internacional, que suspendeu as sanções contra o país.] Com certeza. Muitos conglomerados europeus e até americanos vêm planejando entrar no mercado iraniano desde novembro de 2013, quando o acordo nuclear interino foi assinado. Com mais de 80 milhões de pessoas, o Irã tem um tremendo potencial de mercado. Em função do cenário geopolítico, o país passou os últimos 40 anos em diferentes graus de isolamento, o que criou uma demanda substancial em todas as áreas. O Irã é muito rico em commodities e capaz de investir significativamente em sua própria modernização.

 

Com um PIB de US$ 406,3 bilhões em 2014, o Irã é a segunda maior economia do Oriente Médio e do Norte da África, atrás apenas da Arábia Saudita. O país tem também a segunda maior população da região (depois do Egito), estimada em julho de 2014 em 80,8 milhões de pessoas, das quais 50% têm menos de 35 anos. Em 2007, o Irã apresentava uma proporção de alunos para trabalhadores igual a 10:2, uma das mais altas do mundo. Para onde essa enorme e altamente qualificada juventude está caminhando?

> O Irã tem tudo para se tornar uma potência regional. Todavia, é uma nação que vem enfrentando uma contínua “evasão de cérebros”, já que muitos jovens partem para procurar emprego em outros lugares. Se investisse nos programas certos para aparelhar os incríveis talentos de seus jovens cidadãos, o Irã seria uma potência regional de enorme sucesso.

 

Mas a taxa de desemprego continua bastante alta. Quais são as chances de que os protestos da Primavera Árabe tenham levado a mais incertezas e instabilidades sociais e econômicas do que ao oposto?

> Em primeiro lugar, precisamos distinguir o Irã dos demais países árabes. A Primavera Árabe e os protestos de 2010 espalharam-se pelos países da Liga Árabe, além de alguns outros pontos-chave (excelência científica e tecnológica, criação de empregos e de desenvolvimento pessoal), a suspensão das sanções econômicas ainda seria a melhor opção para reduzir as taxas de desemprego.

 

E com relação ao mercado da construção, onde, exatamente, o Irã precisa da Sika?

> A Sika atua em várias áreas, a começar pela construção residencial e infraestrutural. O segundo pilar principal é o reforço do concreto, campo de aplicação de muitos produtos da Sika. O Irã está começando a construir pontes segmentadas, e isso oferece à Sika uma ampla gama de aplicações para seus produtos patenteados.  

 

O Sr. vê alguma nova tendência na área de construção?

> Existe uma clara demanda por novas tecnologias. Corte dos custos de energia, uso eficiente de água e outros recursos e redução de poluição e resíduos são boas razões para os construtores iranianos explorarem novas tendências em produtos e métodos de construção ecologicamente corretos e com eficiência energética. As autoridades locais têm voltado seu foco para revestimentos resistentes ao fogo e novos métodos de reforço estrutural contra terremotos.

 

Para onde caminha a Sika Irã? Quais são seus alvos?

> Eu assumi o cargo em circunstâncias difíceis, mas agora a Sika Irã caminha em frente. Acreditamos que em breve nossa posição no mercado se fortalecerá. Fizemos progressos iniciais. O objetivo aqui é aumentar as atividades de venda e o uso de ferramentas de marketing como palestras, treinamentos etc. Nosso foco é chegar à liderança do setor de construção e das áreas de BTR, FFI e reforço estrutural.  

 

Quais são os melhores aspectos da vida no Irã? Pessoalmente, o que o sr. mais aprecia?

> Bem, a cultura do Irã é a mais antiga do Oriente Médio. O meio ambiente aqui é singular: este é um dos poucos países em que você pode vivenciar as quatro estações ao mesmo tempo, começando pelo clima subtropical do Mar Cáspio, passando por incríveis montanhas com até 5.674 m de altura (Damavand) e por desertos espetaculares, até chegar ao Golfo Pérsico.